segunda-feira, 28 de maio de 2012

Gosto muito de você

E um belo dia sem mais delongas veio vinda aleatória

Que na vida o que não se espera acaba sendo vitória

E aquela que trabalha quando quer aqui se lembra, que memória

De frases exatas de momentos bobos de uma tão recente história

É que nos momentos bobos é que vejo a glória

E vivo a vida mais feliz quando a vivo simplória

De simples dias vou traçando a fina trajetória

Na minha vida algumas entradas são mesmo divisória

Entre um antes que era bom, mas que agora...você melhora

domingo, 27 de maio de 2012

Fusas Confusas

A breve que é longa
Semibreve da batida aflita
De colcheias chicoteia a pauta
Semicolcheias correm na linha
Fusas confusas me doem os dedos
Semifusas riem de mim
Na Clave de Sol me sinto em casa
Na de Fá, desconhecido sem fim
Da mínima quase me esqueci
Justo ela e sua metade
Que para mim ainda sorri
Enquanto viajo vendo na música
A falta da solidão
Pula sem ritmo constante
Pula batidas o meu coração

sábado, 26 de maio de 2012

Lagoa Seca

Era "Seca" o nome da Lagoa, apesar da poça de uma espécie de água suja constantemente dentro dela. "Seca", igual aos "bom dia" e "como vai?" ausentes ou sem alegria que conhecidos costumam trocar (ou não) ali em suas corridas diurnas. "Seca", igual ao ar de inverno que invade o bairro gélido. "Seca", é um bom nome para a Lagoa que costumava conhecer naquele local.

Naquela noite na Lagoa Seca, só houve Lagoa Molhada. Sim, ao cair da noite, da madrugada e da chuva, Lagoa Molhada talvez fosse um nome mais apropriado para o local quase deserto do bairro. Não havia naquela escuridão sorrisos flácidos ou esticados, não havia naquele frio corpos esculpidos e exibidos na rua, nem de cirurgia, nem de academia, nem de métodos mais condenáveis e ainda menos saudáveis. Não, não havia na madrugada a secura amarga que costumava ver de dia. Não havia, na noite fria, Lagoa Seca... havia Lagoa Encharcada.

Encharcada de honestidade, de carinho e de paz. Molhada de alegria e sono. De vontade de ficar mais, de vontade de ir junto, e molhada de vontade a Lagoa me parecia de verdade. Finalmente um lugar que poderia me acolher com todos os meus desejos que só condena quem compartilha. Após a sua inauguração, espero que a associação de moradores faça do novo local de lazer uma área melhor aproveitada, porque desejar ao outro o que se tem de bom faz bem à alma.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A caça do lobo

Tão bonito e perigoso.
Passos leves, andar silencioso, dentes afiados e pele cobiçada.
Vive no frio, na neve, no escuro.
Emana calor e brilho dos olhos de luz e fogo da noite.
A fumaça branca do vapor quente que expira me enlouquece e alucina.
Espreitava o rebanho sem necessidade, ovelhas tolas e encantadas iam ao seu encontro.
Poderoso lobo da noite, não encrava os dentes na ovelha, dispensa o doce sangue fácil e volta para a floresta negra.
Sobe ofegante a montanha gelada, senta sozinho e vira os olhos verdes translúcidos para a Lua.
A luz pálida lhe banha em sua pesada solidão.
Levanta os olhos úmidos e uiva canções e palavras de tal beleza que dói na alma.
O misterioso lobo que vendo o caçador não foge nem ataca, só espera, aguarda.
E quando a bala lhe corta pelo e pele, ele encara sorrindo seu assassino.
Jorra quente e vermelho vivo o sangue impactante na neve branca.
Chorando, me livro dos braços do caçador (príncipe encantado).
Corri com as pernas cedendo ao cansaço e frio, e afundando na neve fofa me jogo no lobo, colocando meus braços finos ao redor de seu pescoço enorme.
O sangue me ensopa e esquenta, mas não vou soltá-lo.
Em um último abraço apertado, digo adeus ao meu amigo tentando salvá-lo.
Ficamos os dois naquele lindo cenário, a menina e o lobo, enfim caçado.
Por que se entregou? 
Não entende que é do lobo a minha amizade e carinho? 
Meu desejo e encanto?
Minha admiração?
Salve Inverno, que a mim já maltratou, salve o lobo da montanha !


terça-feira, 22 de maio de 2012

Caçula

Ri e sorri sem graça
Quando a vergonha lhe apanha de jeito
Tímida apesar do que aparenta
Nos derrete em seu olhar meigo

Sapeca não para em casa
Me pergunto quem terá puxado
E com a cara lavada
Diz que o estudo foi bravo

Pequena e arisca mineira
Cabelos lisos nascidos assim
Não conheço mais festeira
Talvez ganhe até de mim

E cresce enquanto eu assisto
Me recuso a perder a garotinha
Ajudo em cada imprevisto
Nunca estará sozinha

domingo, 20 de maio de 2012

Se encaixou perfeitamente

E o trem foi muito doido, aí eu fiquei muito doida e tudo foi uma loucura, e nada se encadeia, nada faz muito sentido...e assim sendo, tudo se encaixou perfeitamente. Esqueci de tudo e de todos, da razão, da moral, do ciúmes, do não ter ciúmes (de quem de tão distante não podia imaginar esse turbilhão de ideias que me atacava sem atacar), esqueci que meus pés doíam, esqueci que ainda não sabia como voltaria pra casa, esqueci de (me) dizer que gosto e esqueci de (me) dizer que não gostava tanto assim, esqueci de todos, até de mim.
E agora essa dor nas costas me lembra que foi bom demais! Igual aquela dor de cabeça que em um dia distante me lembrou de como havia sido bom, assustador, idiota, péssimo, irreversível...mas dessa vez não creio que veja tantos lados negativos, foi só incrivelmente bom.
E agora que acordei nesse meio de tarde gelado, não sei se tenho pressa ou calma, razão ou loucura, dor ou alegria, vontade de gritar (ou de fugir) ou de olhar em silêncio apreciando a beleza que não é minha, mas que por algumas horas parece ser. Essa beleza do nublado frio e majestoso, tão distante da minha apagadinha e amassada. O mundo precisa de beleza, eu também.
E quem precisa de certezas? Eu não preciso de algumas já que tenho essas outras... Certeza de que é bom, divertido, alegre e leve...De que não quero que nada mude e fico feliz que não mude mesmo.
Que mudar seja o desejo de muitos e muito dos meus, entendo. Que hoje nada precise mudar pra me fazer feliz, um dia talvez entenda.
Para que todos entendam bem....Estou ótima ! A loucura me faz bem ! E saiba que me importam mais aqueles que comigo se importam. Beijos pra quem me quer bem.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sapatilhas

O cristal do lustre balançou
No enorme teatro do colégio
O primeiro sinal já soou
Sair agora, sacrilégio


O palco não é grande
O palco não é pequeno
Agora da coxia distante
Não era o mesmo envolvimento


Naquele mesmo teatro
Naquele mesmo palco
Minha mãe tirava o retrato
Eu estava lá no alto


Agora assistia
Na platéia havia calma
Não aquela correria
Queria a coxia de volta


Lembro bem do camarim
Tantas meninas eufóricas
Quase me esquecia de mim
Com a espera de horas


O palco ficou no passado
Abandonei as sapatilhas
Mas nunca a arte de lado
Sempre lhe faço visitas

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bobagens

E pra quem não tem e não teve falos, resta a fala.
E falo sem parar, repetindo as falas da antiga peça ao infinito.
E peço que não me incomodem, agora que falo aos fados sobre os falos que não tive e não tenho.
Fala, não te cales sem que fale o que lhe aflige o peito.
Pra fora os desejos, que pra dentro não pôde colocar.
De falos ausentes passo o dia a falar, sem que tenha tempo para parar e pensar em quem vai ler esse singelo ensaio com palavras pouco convenientes.

Que não seja tão pesado fardo o abandono de correntes morais.
Que não se assuma ou ignore fatos ligados a ou distantes d'essas linhas.
Estariam todos fadados a riscar do próprio vocabulário determinados termos proibidos?
Não te fazem falta os demais falos da língua?
Não tenho nem tive falos, a fala tive e gostei.
Ambos um dia terei ... ... ... ... :
As fadas da fala de fatos fadados à minha escrita torta em meio ao comum trajeto de ônibus de cada dia, os sonhos andantes de poemas en passant recitados ao léu.

Bobagens de boba vontade de ser leve e feliz. Tudo tão simples assim.

domingo, 13 de maio de 2012

Discreta descrição

Uma discreta descrição dos meus diversos delírios.
Sorrio, imagino diferentes desfechos, crio diálogos inteiros, em sonhos que tenho acordada.
Nada.
Nada mudou e nada está igual, de frente para o espelho vejo a imagem de uma amiga desconhecida.
Cresço, o mundo me obriga a crescer cada vez mais depressa.
Esqueço, que ninguém pode fugir da dor.
Me jogo, tudo e nada a perder, tudo e nada a ganhar.
Voo e caio, me levanto para de novo correr.
Tomar o impulso e saltar, me lançar à viagem insubstituível que é a minha vida, e a minha juventude.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ela e eu, completamente maluca


"O que pensa estar fazendo?". Era ela de novo, a chata. Para que saber o que se passa em minha mente? Quem está pensando afinal sou eu.
"Só estou verificando novas possibilidades, outros rumos, novas histórias, direções nas quais o vento sopra." Que resposta foi essa? acho que perdi de vez a noção do perigo...respondê-la assim! Aguardei em silêncio sua reação.
"Vai cometer o maior erro da sua vida". Uau, realmente animador...não esperava nada menos vindo dela. Tá bom vai, talvez ainda tivesse guardada alguma esperança de apoio moral.
Mordi de leve o lábio inferior, daquele jeitinho que faço antes de chorar, mas não era boa ideia chorar, tinha de me defender. Engoli as lágrimas que já queriam aparecer, respirei fundo e continuei.
"O maior erro da minha vida pode ser não fazer o que quero agora, nunca se sabe quando poderá ser tarde demais." A cartada do sou jovem e devo aproveitar, boa jogada!
"Vai passar o resto da sua vida se arrependendo de ter colocado tudo a perder por causa de uma bobagem." Ok, aquilo já estava passando dos limites, de onde veio a certeza de que iria dar errado? Não ia deixar barato. E desde quando meus desejos, sonhos, anseios, curiosidades são bobagens?
"O risco é meu, quero assumi-lo mesmo que não dê certo, e ninguém tem certeza de que não vai dar certo."
"Ninguém ter certeza que vai dar certo também!"
Grande novidade, eu sabia muito bem que não haviam muitas certezas envolvidas, a única certeza da vida é mesmo a morte. 'O homem é o cadáver adiado', não é?
"Nunca saberei se daria certo se não tentar, vou sempre me perguntar se não deveria ter arriscado. Isso vai me matar antes de qualquer consequência da tentativa em si, me deixa ser feliz!"
"Então não leve ninguém com você, não assuma riscos por mais ninguém, não coloque ninguém na sua balança de perdas, não leve bagagem alguma, não iluda, não engane, não se espante se terminar só."
Agora as lágrimas quentes escorriam nas minhas bochechas e soluçava tão forte que poderia acordar a qualquer momento daquele pesadelo maluco. Minhas mãos tremiam, quem estava sendo arrastado comigo? quem? de quem ela estava falando? quem precisava proteger? Sozinha não, não quero ir sozinha. Chorava, descontrolada olhava para os lados e perguntava: "quem? quem?". Travesseiro encharcado e um só aviso, se vier comigo, assuma o risco.