Abri a janela para ver o céu azul brilhar, anunciando a beleza do dia. O vento já não estava tão frio, havia gente na rua, havia gente sorrindo. O elevador não funciona, uso as escadas, 7 andares para pensar na vida. Na portaria, mais escada. O jardim acaba de ser regado, o cheiro de terra molhada completa a perfeição da manhã atrasada. Andando em direção à esquina, via a montanha pálida atrás do shopping. Dobro a rua para ver o ônibus passar apressado ao meu lado, nem tento correr. Pegar o próximo não vai me matar.
Pressa, para que tanta? Descobri a vilã das minhas noites de sono agitadas. Não quero ter tanta pressa. Bastou aceitar perder o ônibus para que a calma me invadisse e a caminhada até o ponto se tornasse muito mais prazerosa. Adeus corridas por cada segundo, correr atrás deles me impede de vivê-los. Não quero correr pelo tic-tac! Quero aproveitá-lo, saboreá-lo, deixar que o momento me absorva apenas para ele. Que o amanhã não me roube o hoje.




